Uma Questão de Coerência

Uma Questão de Coerência

1 Fevereiro, 2018 Não Por Pedro Sousa Coelho

Modéstia à parte, considero ter uma semelhança com Sérgio Conceição. Ambos detestamos situações de incoerência. E ainda bem que assim é porque, desta forma, temos alguém no futebol português que se levanta contra a falta de coerência que hoje, mais do que nunca, é uma realidade.

 

Contudo, da mesma maneira que encontro uma semelhança com Sérgio Conceição também encontro, neste âmbito, uma diferença: ao contrário do treinador do FC Porto, eu considero que “coerência” significa que existe uma conformidade entre factos ou ideias, uma conexão, ou seja, procuro que aquilo que diga não venha contrariar o que disse em tempos, de forma a que consiga apresentar posições claras sobre os vários assuntos e não uma posição que amanhã pode mudar por uma qualquer razão. Sérgio Conceição referiu, no início de janeiro, que aquilo de que gosta mesmo “é de pessoas coerentes”. Ora, não sei qual é que é a coerência de que o treinador do FC Porto gosta, mas, infelizmente, venho a perceber que não é a mesma pela qual me guio.

 

Só alguém que não entende a coerência como esta conformidade entre factos e ideias é que pode ter moral para acusar colegas de profissão de incoerência, ao mesmo tempo que pede respeito pelos árbitros e os ataca de cada vez que não ganha.

 

Efetivamente, precisamos de mais coerência no futebol, no verdadeiro sentido da palavra. Se for normal ter uma posição e desdizer a mesma, assim que dá mais jeito, não chegaremos a lado nenhum. É preciso respeito, sim. Mas esse respeito só existirá no dia em que aqueles que detêm responsabilidade no futebol forem coerentes nas posições que defendem.

 

A incoerência verifica-se em múltiplas situações. Infelizmente, o clube mais visado por esta falta de conexão tem sido o SL Benfica. Não existe um jogo ganho pelo tetracampeão, que não seja imediatamente questionado por altos responsáveis da estrutura dos rivais diretos: ou é porque o árbitro beneficiou a equipa, ou é porque o VAR ajuizou mal, ou é porque o VAR não foi chamado a intervir, ou ainda porque o SL Benfica tem tanto poder que comprou o adversário para conseguir vencer o jogo. Não existe um jogo em que não se ponha em causa o nome e a dignidade do SL Benfica.

 

E porque é que isto acontece? Porque é que se continua a atacar um clube que não sai do terceiro lugar? Porque é que as vitórias dos dois primeiros classificados nunca são contestadas, são sempre justas, mas não há uma do terceiro classificado que seja legitima?

 

A resposta é muito simples: porque o SL Benfica incomoda. Incomoda porque ganha. Incomoda porque consegue chegar onde os outros nunca chegam. Incomoda porque tem o dobro dos campeonatos do Sporting CP. E incomoda porque venceu 12 dos últimos 17 títulos em disputa.

 

Incomoda muito este SL Benfica. E assim, como não conseguem responder em campo, os rivais preferem refugiar-se nas redes sociais, ou nos espaços de comentário onde põem em causa uma instituição só porque esta os incomoda.

 

A verdade é que nós já estamos habituados a esta situação. E trabalhamos para responder em campo. Nem sempre se consegue vencer (e o jogo da última segunda-feira é exemplo disso), mas estamos na luta. Até ser possível não deixamos de acreditar que podemos continuar a escrever história, contra tudo e contra todos. Mesmo que incomode. Faltam 14 finais.