Opinião | Vecchia Signora candidata a vencer tudo em 2018/2019

Opinião | Vecchia Signora candidata a vencer tudo em 2018/2019

15 Julho, 2018 Não Por Gonçalo Ferreira da Silva

Juventusvitória são palavras que, nos últimos anos, têm aparecido repetidamente na mesma frase. Depois de, no já longínquo ano de 2006, terem sido penalizados com a descida à Serie B italiana pelo envolvimento num dos maiores escândalos de corrupção da história do futebol – o Calciopoli -, os Bianconeri, agora presididos pelo magnata italiano Andrea Agnelli, dono da Fiat, conseguiram reerguer-se e recolocar-se numa posição de destaque no futebol mundial graças aos trabalhos de Antonio Conte, numa primeira fase, que durou de 2011 a 2014, e de Massimiliano Allegri, que pegou na equipa após o Mundial do Brasil, tendo-se revelado não só capaz de dar continuidade à dinâmica vencedora do compatriota, como de ressuscitar uma dimensão europeia há muito perdida, com a chegada a duas finais da Liga dos Campeões, em 2015 e em 2017.

Após a conquista do heptacampeonato e do tetra na Taça de Itália (o que se traduz numas impressionantes quatro dobradinhas consecutivas e, naturalmente, na consequente consolidação de uma inegável hegemonia no calcio), a Juventus quer, agora, chegar mais alto e a verdade é que só o pode mesmo conseguir se vencer onde ainda não venceu neste século – na Europa. Ora, de modo que o sonho Champions se torne realidade, Agnelli, Marotta e companhia mostram-se, neste momento, capazes de cometer as maiores loucuras possíveis, representando a contratação de Cristiano Ronaldo – que coloca até em causa a sustentabilidade financeira do clube, de acordo com alguns – uma prova disso mesmo. Com efeito, com o craque português nas suas fileiras e com mais algumas contratações de peso, não restam dúvidas de que a Vecchia Signora se assumirá, em 2018/2019, como uma das principais candidatas a vencer tudo o que houver em disputa.

Olhando para todos os setores, entende-se a profundidade e a qualidade que os caracteriza. Na baliza, não obstante a saída de Buffon, símbolo do clube, tanto Mattia Perin como Wojciech Szczesny oferecem todas as garantias, permanecendo a dúvida relativamente a quem será o titular. No centro da defesa, Chiellini, Benatia, Barzagli, Rugani e o recém-chegado Mattia Caldara (vindo da Atalanta) afiguram-se como opções de qualidade para Allegri, podendo dizer-se o mesmo em relação ao flanco direito da retaguarda, onde De Sciglio e João Cancelo, jogador que esteve emprestado ao Inter na época passada e que a Vecchia Signora contratou a título definitivo ao Valência há umas semanas, lutam pelo lugar. No lado oposto, Alex Sandro, internacional brasileiro que tem protagonizado excelentes exibições desde que chegou a Turim vindo do Porto, é a única opção, sendo de se esperar a chegada de outro atleta para rivalizar com ele, especulando-se sobre a possível vinda de Marcelo (contudo, pouco provável), acompanhando o amigo Cristiano. No meio-campo, os nomes de Miralem Pjanić, Blaise Matuidi e Emre Can (chegado do Liverpool a custo zero), principalmente, mas também de Sami Khedira, Rodrigo Bentancur e Claudio Marchisio dispensam qualquer tipo de apresentação. Em relação ao ataque, vislumbra-se um conjunto estelar, com Cristiano Ronaldo à cabeça, Mario Mandžukić, Paulo Dybala, Douglas Costa, Juan Cuadrado e Federico Bernardeschi a comporem o ramalhete, perante uma necessária saída de Gonzalo Higuaín para aliviar as contas do clube (quiçá, para o Chelsea, opção que tem ganho força com a chegada de Maurizio Sarri a Londres, técnico que conhece o argentino dos tempos de Nápoles).

Como se vê, o grande plantel que os dirigentes da Juventus têm construído para 2018/2019 coloca a equipa mais próxima da vitória na Liga dos Campeões. Em particular, com a chegada de Cristiano Ronaldo, os tifosi juventini podem mesmo sonhar. Se Allegri já fez no passado o que todos testemunhámos, o que poderá alcançar agora, que tem um dos melhores do mundo à sua disposição? Estaremos cá para ver.