Estás aqui!
Home > Futebol Internacional > Opinião | Quem é mais capaz de desafiar a hegemonia da Juventus?

Opinião | Quem é mais capaz de desafiar a hegemonia da Juventus?

Os últimos anos de futebol têm-nos apresentado algumas nuances de cuja concretização praticamente não se duvida. Falo da viragem de Robben para o interior da área na sequência de uma incursão pelo flanco esquerdo, falo da luta entre Ronaldo e Messi pela Bola d’Ouro, falo da conquista das competições europeias por parte de equipas espanholas, mas falo, acima de tudo, da conquista do campeonato italiano por parte da Juventus.

Não é que a Serie A venha sendo um campeonato competitivo neste início de século; aliás, o Inter conquistou cinco campeonatos consecutivos entre 2006 e 2010. No entanto, o avassalador domínio da Juventus não encontra, de facto, igual no futebol europeu atual e, mesmo recuando uns anos, só mesmo o Lyon, em França, protagonizou algo semelhante, antes de o dinheiro ter caído do céu no Parc des Princes. Depois do escândalo que foi o Calciopoli, a Juventus foi capaz de se reerguer em poucos anos, detendo, agora, uma impressionante série de seis scudetti consecutivos, com duas finais da Liga dos Campeões (ainda que ambas perdidas) pelo meio.

Se, nos primeiros anos de vitórias, a Vecchia Signora nem tinha um grande número de grandes individualidades – exceção feita aos lendários Buffon e Pirlo -, nos últimos anos, o clube de Turim passou a apresentar uma capacidade de investimento na linha dos principais clubes europeus (o que se ficou a dever, sobretudo, a uma gestão exemplar), que permitiu contratações como as de Higuaín, Dybala, Bernardeschi, Pjanic, entre outros. Aliado a isto, manteve-se (ou até aumentou) o poderio e a força da equipa às ordens de Massimiliano Allegri, algo que não é muito comum depois de tantos anos de conquistas, ou seja, em condições normais, a Juve já teria, até, entrado numa fase descendente. Este crescimento permitiu o regresso dos Bianconeri aos píncaros do futebol europeu, que voltaram a ser respeitados e temidos por qualquer adversário por essa Europa fora, tendo-se assistido, com efeito, ao renascer de uma superpotência do futebol mundial.

Ora, não obstante as duas prestações europeias, é em terras transalpinas que a Juventus tem apresentado uma hegemonia impressionante, vencendo sem grande dificuldade os últimos seis campeonatos com um futebol de alto nível. Neste início de temporada, com os capitaneados por Buffon a correrem atrás do prejuízo (encontram-se em segundo lugar), o entusiasmo ainda é grande em Itália, dado o crescimento de alguns conjuntos que podem ameaçar o domínio juventino.

Neste sentido, muitas têm sido as dúvidas colocadas em relação a quem será, atualmente, o clube com mais argumentos para quebrar a série gloriosa de Dybala & Co.. No início, chegou-se, inclusivamente, a pensar numa ascensão triunfante do Milan, a recuperar os seus tempos áureos, mas os primeiros jogos já nos mostraram que essa ascensão não será (pelo menos) para já. Por sua vez, o Inter é também visto como uma possibilidade para regressar às conquistas, o que até tem algum suporte prático, dada a igualdade pontual com a Juventus, à sexta jornada. Apesar disso, são ainda evidentes algumas fragilidades na equipa às ordens de Spalletti e a quebra não deverá demorar muitas mais jornadas. Para além destes três conjuntos, integrados naquele que eu designo por ‘segundo nível de ameaça’, encontram-se, no ‘terceiro nível de ameaça’, Lazio e Atalanta, ficando o ‘primeiro nível de ameaça’ entre a Roma e Nápoles, com os orientados de Sarri justifycabeça.

Em relação à Roma, mesmo sem Il Capitano Francesco Totti a liderar o balneário, os Giallorossi parecem não ter perdido qualidade, nem equilíbrio emocional, tendo vindo a efetuar, como é seu apanágio, um excelente início de época. Com futebolistas da craveira de Nainggolan ou de Dzeko, o clube da capital italiana já mostrou, aqui ou ali, poder fazer “uma graça”. A ver vamos…

Apesar da consistência da Roma nos últimos anos no que se refere ao alcance de lugares no pódio do calcio, é o Nápoles de Sarri que apresenta, tanto no plano teórico, como no plano prático o maior número de argumentos para lutar, ombro a ombro, com le Zebre pelo scudetto, esta temporada. À sétima jornada, o clube do sul ainda não cedeu qualquer ponto, destacando-se uma goleada ao Benevento (6-0) na quinta jornada e mais uma mão cheia de boas exibições que auguram um futuro risonho. Pese embora o bom futebol praticado pelo Nápoles nas últimas temporadas, o problema da equipa que atua no San Paolo parece estar sempre nos momentos decisivos, em que vacila. É talvez aí que reside a diferença em relação à Juve, equipa que, jogando mais ou menos bem, não costuma deitar tudo a perder nas alturas em que é desafiada. Esta temporada, o panorama poderá ser o mesmo.

Verifica-se, em suma, que, apesar do grande número de equipas com argumentos em Itália para fazer qualquer coisa de bom, se afigura extremamente difícil minar o pragmatismo dos homens de Allegri. Na verdade, a única forma de o fazer parece ser precisamente aumentar esse pragmatismo, abdicando de jogar sempre bem para que o espaço para as derradeiras vitórias apareça. Nesse domínio, é o Nápoles quem se encontra em melhor posição neste enorme desafio. Veremos o que consegue demonstrar.

Gonçalo Ferreira da Silva
Como grande amante do futebol italiano que sou, estou a cargo da sua análise, reflexão e explicação no dabancada.com. Não abdico, contudo, de umas pinceladas pelo resto da Europa e pelos temas que maior interesse suscitam neste mundo que é o futebol.

Deixe uma resposta

Top