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Opinião | Pouco Mónaco ou muito Porto? Pouco Benfica ou muito Basileia?

Pré-leitura: Este é um artigo de opinião pessoal que não traduz necessariamente o parecer do dabancada.com no seu todo.

Preâmbulo

O facto de uma equipa jogar o que a outra deixa é irrefutável no mundo do futebol. No entanto, é evidente que há sempre uma equipa, de entre as duas que participam num jogo, que faz mais por determinado resultado se verificar, o que se aplica tanto positivamente, como negativamente. Ora, nos habituais pós-jogo que se fazem, a discussão sobre qual terá sido essa equipa nunca fica por fazer, ainda para mais em encontros que acabam com resultados tão desnivelados, como o foram o Mónaco vs. FC Porto e o Basileia vs. Benfica. Neste sentido, proponho, ao longo deste artigo, uma análise sucinta às exibições de FC Porto e Benfica na Europa, de modo a tentar perceber que dose de mérito tiveram os dragões na vitória no Mónaco e que dose de demérito tiveram as águias na humilhação de Basileia.

Um FC Porto brilhante

É certo que já teremos assistido a noites de melhor futebol por parte do Mónaco de Leonardo Jardim. Porém, não reconhecer a exibição extraordinária que o FC Porto protagonizou – quem, sabe, das melhores da sua história a nível europeu – afigura-se algo demonstrativo de grande desonestidade intelectual.

Menos afoitos na pressão na primeira fase de construção do adversário, os orientados de Sérgio Conceição souberam esperar pelos timings ideais para desafiar a sempre perigosa posse de bola dos homens do principado e atacaram, com critério e com eficácia, a segunda fase de construção do adversário, fazendo Fabinho e Moutinho parecerem dois médios banais. Neste particular, Sérgio Oliveira, titular-surpresa para muitos, foi decisivo, justificando a aposta de Conceição, ao emprestar grande intensidade e sentido de antecipação à equipa.

Para além da evidentemente boa exibição no capítulo defensivo, para a qual contribuiu também, em larga medida, a imponência física dos atletas da Invicta, deve-se destacar, mais uma vez, o génio de Brahimi no flanco esquerdo do ataque, a abnegação e as pilhas de duração incalculável de Marega e o sentido de oportunidade de Aboubakar.

Em suma, o FC Porto, bem trabalhado, foi simplesmente demasiado forte para um Mónaco desinspirado. Mais do que os monegascos terem perdido a partida, foram os azuis e brancos que a venceram. Veremos se os filhos do dragão são capazes de aproveitar o balanço e de vencerem em Alvalade, disparando na liderança do campeonato português.

Um Benfica desnorteado e irreconhecível

Na Suíça, o Benfica sofreu a segunda pior derrota da sua história a nível europeu frente a um humilde Basileia facilmente controlável se tivesse subido ao terreno de jogo uma equipa mais segura de si e com a identidade, por exemplo, daquela que venceu no Vicente Calderón em 2015/2016 ou daquela que, no mesmo ano, lutou, ombro a ombro, com o Bayern por um lugar nas meias-finais da Liga dos Campeões.

Tudo correu mal ao Benfica. E isso não sucedeu porque naqueles noventa minutos o Basileia esteve a um nível galático, mas antes porque o Benfica demonstrou uma incapacidade e uma falta de organização enormes e atípicas (pelo menos, eram-no até maio), no sentido de impor o seu jogo e neutralizar um adversário que não vencia há mais de 10.000 (dez mil) minutos na liga milionária, número este que mostra o quão inofensivo era, a priori, o plantel às ordens de Raphaël Wicky.

Para além dos inúmeros erros cometidos, a noite tornou-se ainda mais negra pelo ato irrefletido de André Almeida, que foi o autor de uma entrada completamente assassina, a pés juntos, a um adversário, lance que lhe valeu a expulsão. Nem Fejsa se salva neste jogo, ele que esteve também desastrado, ao fazer uma falta na grande área (que viria a resultar no 3-0). Quanto a Júlio César ou a Jardel, as performances foram demasiado más para serem verdade.

No rescaldo da partida, Rui Vitória salientou a preponderância dos erros no resultado, mas garantiu que, no domingo, o Benfica se apresentará preparado para levar de vencida o Marítimo. É esperar para ver.

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