Obrigado Slimani!

Obrigado Slimani!

3 Setembro, 2016 Não Por Rafael Pereira

Bem, ainda nem sei muito bem por onde começar. Este é o grande problema das rotinas: habituamos-nos a algo ou a alguém, e quando de um momento para o outro nos vemos sem essa presença diária nas nossas vidas, ficamos à toa, sem saber muito bem o que devemos fazer ou como devemos reagir. É certo que nisto do desporto (em particular no futebol) o lema máximo deve ser sempre o “Zero ídolos”, porque a verdade é que os jogadores passam, e a equipa (que logo a seguir aos adeptos é o mais importante) fica, mas há casos em que se torna impossível, pois há jogadores que ficam na história de um clube para toda a eternidade. Ou pela técnica deslumbrante, ou por uma veia goleadora ao alcance de muito poucos. Mas acima de qualquer um destes aspetos, está a raça, o deixar a pele e sangue em campo, o esforço, a dedicação e a devoção, que são peças fulcrais para um dia conquistarmos a glória que tanto ambicionamos. Para um dia tornarmos o nosso clube “tão grande como os maiores da Europa”. E se houve jogador que nas últimas 3 épocas representou tão bem estes ideais foste tu, Slimani!

Estávamos no verão de 2013 e começaste a ser associado ao Sporting. Comecei por ver uns vídeos no Youtube dos tempos em que jogavas no CR Belouizdad e sendo sincero, não me chamaste logo à atenção (eu que sempre fui um fiel admirador de avançados com muita técnica). Eis que no dia 8 de Agosto desse ano assinas pelo Sporting por 4 temporadas. Aquilo que poderias vir a acrescentar na equipa era uma incógnita (num momento em que precisávamos de garantias para a frente de ataque após a saída de Wolfswinkel). Para além de ti, tinha chegado outro avançado, o Fredy. Já o conhecia minimamente dos tempos do Seattle, e fiquei maravilhado com a sua chegada. Era sem dúvida o PL que um dia eu gostaria de ser. E as coisas não lhe podiam ter corrido melhor: começou muito bem a época, com golos atrás de golos, excelentes exibições, e acima de tudo, conseguiu o carinho e admiração dos adeptos.

Só que a partir de Janeiro, o seu rendimento começou a baixar, e eis que tinha chegado a tua hora. A altura de mostrares que irias deixar a tua marca para sempre na história do clube. Estreaste-te pelo Sporting no dia 24 de Agosto de 2013, na vitória por 4-0 frente à Académica em Coimbra, e a marcar pelo clube no dia 20 de Outubro desse mesmo ano, num jogo da taça de Portugal frente ao Alba. Realizaste 31 jogos em todas as competições nessa época, e marcaste 10 golos, sendo que apesar da tua pouca capacidade técnica naquela altura, acabaste a temporada a titular, não só por teres sido um “Talismani” e “arma secreta” em muitos jogos, mas também por culpa do menor fulgor do Montero. No final do ano de 2013 foste distinguido como Bola de Ouro do teu país, prémio atribuído ao melhor jogador argelino do ano, principalmente pelo facto de teres sido o melhor marcador na campanha que levou a a tua seleção ao apuramento para o Mundial de 2014. Poucas semanas depois foste considerado o melhor jogador magrebino de 2013, pelos leitores da revista France Football. Na tua 2ª época assumiste por completo a titularidade na frente de ataque do clube, realizando 33 jogos e marcando 15 golos. Sabes, ainda vibro sempre que revejo o teu golo na final da taça de Portugal contra o Braga. A perdermos 2-0, quem diria que acabaríamos por ser nós a levantar o caneco? 2015-2016, e eis que chega a tua última época com o leão rampante colado ao peito. 46 jogos, 31 golos. 3-0 na Luz, 2-0 em Alvalade e no Dragão contra o Porto e o 3-2 em Alvalade contra o Braga foram sem dúvida os jogos em que marcaste os teus golos mais importantes dessa época.

Apesar da tua saída já estar traçada, sabia que ainda irias escrever mais uma bonita página neste que foi sem dúvida alguma um conto de fadas, e escreveste-a da melhor forma no domingo passado em Alvalade frente ao Porto com mais um golo. Época após época foste evoluindo cada vez mais. De um jogador que “só joga bem com a cabeça”, passaste para um jogador extremamente completo, dos melhores pontas de lança da atualidade, não só pela tua técnica no cabeceamento, mas também pela entrega, capacidade de trabalho em campo, garra, caráter, suor, sangue e lágrimas que deixas em todos os relvados que pisas. Pode parecer estranho, mas apesar de seres estrangeiro, sentiste a camisola como muitos da casa nunca sentiram ou sentirão, e isso não tem preço!!!

“Dragon Slayer”, só me resta desejar-te a maior sorte do mundo em terras de sua majestade, e que sejas tu o rei na rainha das ligas.
“Tantas foram as vezes que te ajoelhaste para agradecer, como aquelas que fizeste o Leão rugir!”

Obrigado por tudo Sli!