Não fazer com Ricardo Pereira o que o Benfica fez com Marçal

Não fazer com Ricardo Pereira o que o Benfica fez com Marçal

15 Junho, 2017 Não Por Gonçalo Ferreira da Silva

No rescaldo daquela que acredito ter sido uma muito má venda por parte do Benfica, apela-se a que o Futebol Clube do Porto não incorra no mesmo erro. De facto, as águias vendem a preço de saldo um lateral que foi considerado o melhor na sua posição na liga turca em 2015/2016 e que também esteve entre os melhores da liga francesa em 2016/2017. Nesse aspeto, Ricardo Pereira aproxima-se de Marçal, na medida em que também foi um dos defesas laterais em evidência em terras gaulesas, na época que passou.

Depois de duas épocas de alto nível, em particular, esta última, ao longo da qual efetuou sete assistências em 31 jogos ao serviço do Guingamp, no campeonato francês, Marçal não viu os responsáveis dos atuais tetracampeões nacionais reconsiderarem o seu estatuto no plantel, o que lhes pode sair bem caro. A pergunta que lhe surgirá no pensamento será: pode-lhes sair caro em que medida? Bem, do meu ponto de vista, esta transferência pode já considerar-se, por um lado, negativa para os encarnados em função dos humildes 4,5 milhões de euros que envolve – com provas dadas no Benfica ou não, nunca um jogador que apresenta semelhante nível em duas temporadas consecutivas pode sair por tão baixo valor e, mais do que isso, tão pouco rentabilizado. Por outro lado, acontece que esta transferência pode ter outro impacto negativo – no caso da saída de Grimaldo (e mesmo de Eliseu, que terminou o contrato e a quem não chegou qualquer proposta de renovação), o Benfica fica sem grandes soluções para a posição e Marçal poderia ser, neste sentido, uma aposta interessante, em virtude do potencial do qual já se mostrou dono.

Num panorama idêntico, encontra-se o FC Porto. Com efeito, Ricardo Pereira foi também uma das grandes revelações da última temporada em França, tendo apontado dois golos e assistido outros quatro ao longo de 24 jogos (23 deles a titular), no campeonato francês. Com a entrada de Sérgio Conceição para o comando técnico dos dragões, acredita-se, contudo, que o jovem lateral português (que, diga-se, já terá porventura merecido uma chamada à seleção principal…) poderá ter outra oportunidade para mostrar a sua qualidade e convencer o treinador. Com um valor de mercado de nove milhões de euros (segundo o portal Transfermarkt), Ricardo Pereira foi um dos grandes responsáveis, como os dados fornecidos atestam, da excelente campanha do Nice em 2016/2017 e tem toda a capacidade para assumir semelhante preponderância com as vestes azuis e brancas e para se valorizar ao serviço do clube por quem foi desperdiçado nas últimas épocas.

Neste capítulo, exige-se, assim, ao FC Porto que trate um caso parecido com o de Marçal de outra forma, ainda para mais quando Layún parece não ter condições para continuar a jogar na Invicta e quando Maxi parece já ter dado tudo o que tinha a dar. Num cenário mais otimista, acredito, inclusivamente, que a ala direita da defesa portista, na próxima época, possa ficar a cargo de, então, Ricardo Pereira, com Diogo Dalot pronto a substitui-lo sempre que necessário.

Aconteça o que acontecer, é um facto que Marçal foi mal vendido e ninguém me convencerá do contrário. Veremos se o FC Porto é capaz de assumir outra postura num caso muito parecido, evitando incorrer no mesmo erro que o seu rival.

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Este é um artigo de opinião que não traduz necessariamente a opinião do dabancada.com.