E agora?

E agora?

15 Dezembro, 2017 Não Por Pedro Sousa Coelho

À eliminação precoce das competições europeias seguiu-se a também prematura eliminação da Taça de Portugal. Em meados de dezembro, o SL Benfica fica restrito a apenas duas competições (campeonato e Taça da Liga).

Um resultado negativo em Vila do Conde não é nada de inesperado, principalmente num jogo a eliminar. O problema aqui é que a Taça de Portugal não podia ter o mesmo fim da Europa. Se se disse, depois da campanha desastrosa na Liga dos Campeões, que o SL Benfica tinha agora responsabilidades acrescidas nas competições nacionais, exigia-se uma vitória frente ao Rio Ave.

A verdade é que os jogadores entraram com esse espírito. Na primeira parte, o SL Benfica anulou claramente o adversário, dominando-o como poucos (ou nenhuns) fizeram em Vila do Conde. O problema foi que, das muitas oportunidades claras, apenas uma se materializou.

A fatura veio a chegar na segunda parte. Mesmo continuando por cima no jogo, o SL Benfica não dispôs de tantas oportunidades. Em sentido contrário, o Rio Ave construiu duas boas jogadas que concretizou (uma delas precedida de falta sobre Pizzi, a qual, surpreendentemente ou não, não interessou nem a Fábio Veríssimo nem aos defensores da “verdade desportiva”). O jogo invertia-se assim completamente.
Rui Vitória foi obrigado a arriscar. Quando se preparava para dar o tudo por tudo, esgotando as substituições com a troca do lateral esquerdo Grimaldo pelo ponta de lança Seferovic, o SL Benfica dispôs de uma grande penalidade. Jonas, que esta época ainda não falhara da marca dos 11 metros, claudicou quando não podia. Rui Vitória foi obrigado a fazer a substituição e, mesmo que Luisão ainda tenha dado esperança a SL Benfica, levando o jogo a prolongamento, acabou por ter de abandonar a equipa durante esses 30 minutos, devido a uma lesão muscular.

O SL Benfica viu-se assim a jogar o prolongamento de um jogo, que controlara durante grande parte, com menos uma unidade, sem defesas de raiz e com vários jogadores incapazes de jogar 90, quanto mais 120 minutos. O resultado final antecipava-se. O Rio Ave marcou cedo e fechou a eliminatória. Mesmo assim, com menos um jogador, o tetracampeão superiorizou-se e fez por marcar. Mas não era, efetivamente, o dia do Benfica.

Por tudo isto, o tetracampeão está fora da Taça. Assim como já estava fora das competições europeias. Contudo, importa fazer uma distinção. Enquanto que a eliminação da Liga dos Campeões foi justa e refletiu uma campanha sem nada de positivo, a eliminação da Taça de Portugal aconteceu por manifesta falta de sorte e de lucidez ofensiva. O SL Benfica tudo fez para vencer o Rio Ave. Mas, efetivamente, não estava predestinado.

Tentar compreender isto é muito importante no momento em que vivemos, mas não é uma tarefa fácil, tendo em conta que depois da eliminação europeia, o pior seria uma eliminação da Taça.

E agora, o que resta? Resta a Taça da Liga e resta o Campeonato. Se a ridicula campanha europeia já exigia a conquista do pentacampeonato, esse objetivo torna-se agora ainda mais obrigatório. Faltam 20 jornadas, 20 finais. Em cada uma delas, o SL Benfica tem de entrar sem os problemas da Europa e sem as bruxas de Vila do Conde. Tem de entrar com confiança; porque, mesmo com tudo aquilo que já aconteceu, a vitória final é possível. Basta acreditar.