A Pré-Época de Dragões, Águias e Leões

A Pré-Época de Dragões, Águias e Leões

23 Julho, 2018 Não Por Simão Mata

Fazer prognósticos na pré-temporada pode tornar-se um exercício bastante falível. Como dizia a glória do FC do Porto, João Pinto, prognósticos só no final do jogo. Neste caso, será no final da temporada. As equipas ainda estão na alvorada da época, testam-se sistemas, jogadores, posicionamentos, entrosamento com os colegas. Faço, neste texto, uma breve reflexão acerca daquilo que tem sido a pré-época de FC Porto, Sporting CP e SL Benfica.

A equipa do FC Porto partiu para esta pré-época 2018-19 com o estatuto de campeão nacional. A equipa de Sérgio Conceição será a primeira dos três grandes a entrar em competições oficiais: defrontará, a 4 de agosto, o Desportivo das Aves para a Supertaça Cândido de Oliveira. Além disso, e à semelhança do Benfica, mantém o técnico da época transata. Um excelente técnico aliás, que conseguiu “espremer” os recursos que tinha na época passada – por pressão da FIFA face ao fair play financeiro dos dragões – para fazer o sumo que todos vimos: um FC Porto guerreiro e ganhador. Atuando maioritariamente num sistema tático de 4x4x2. Marega, Aboubakar e Soares foram três verdadeiros trituradores das defesas adversárias na época 2017-18. Tudo leva a crer, pelos jogos disputados até ao momento, que o sistema tático de 4x4x2 será para manter na equipa azul e branca.

Com as entradas e saídas nesta altura do defeso surgem algumas dores de cabeça a Sérgio Conceição. Destaco as que me parecem ser as principais: na balisa, no eixo da defesa e no ataque. Com Casilhas numa fase descendente da sua carreira, a equipa portista viu partir o português José Sá para os turcos do Besiktas que assim se junta aos seus compatriotas Pepe e Ricardo Quaresma. Mesmo que o espanhol seja o guarda-redes principal, qual o segundo guarda-redes da baliza dos dragões? Fabiano tem dado boas indicações a Sérgio Conceição mas estará nas melhores condições para ser o número dois da baliza portista? Por outro lado, a saída de Marcano para os italianos da Roma abriu uma brecha na defesa, que tem sido muito visível nestes jogos de pré-temporada, nomeadamente no jogo contra o Portimonense em que a equipa algarvia ganhou por duas bolas a uma. A saída do espanhol levou a que os dragões perdessem um central de referência ao lado de Felipe.

No ataque, Domingos Paciência rumou para o centro da Europa, para fazer parte da equipa alemã do Eintracht Frankfurt. Não era, todos sabíamos, um avançado com muitos créditos no Dragão. Mas, com a sua saída, quem sucederá? Conceição tem testado nesta pré-época, o jovem avançado André Pereira. O ex-vitória de Setúbal regressa do empréstimo do FC do Porto e tem apresentado bons argumentos e garantias na formação portista, marcando golos de belo efeito e acompanhando o envolvimento coletivo da equipa. Mas será suficiente para aguentar uma época exigente como aquela que se avizinha?

Já a equipa do Sporting trabalhou, à semelhança das pré-temporadas transatas, em terras helvéticas. Foram muitos os adeptos que fizeram questão de mostrar todo o amor e dedicação ao clube do seu coração. O diáspora lusa na Suíça mostrou que estes leões não estão sozinhos. A equipa parece assentar num sistema tático de 4x3x3. O 4x4x2 da época passada parece estar arrumado para canto com José Peseiro. Ao nível da filosofia de jogo, parece-me que Peseiro incute uma mentalidade ofensiva e de valorização do jogo sobretudo pelas faixas. Essa situação requer bastante esforço dos laterais e extremos que se devem articular ora nos momentos de ataque ora nos momentos defensivos. É nesse capítulo que se tem destacado Bruno Gaspar (ex-Fiorentina) como lateral direito possante, bom na manobra ofensiva mas nem tanto nos momentos defensivos, e Matheus Pereira, que regressou do Desportivo de Chaves, mostra aquilo que já apresentou na formação flaviense: um extremo rápido e bastante tecnicista. O golo do brasileiro frente ao Nice foi majestático!

Se no plano ofensivo, este Sporting 2018-19 apresenta bons predicados, fruto de individualidades que garantem qualidade no jogo ofensivo, casos de Raphinha, Matheus Oliveira ou até mesmo do jovem Jovane Cabral, José Peseiro tem que trabalhar mais as questões defensivas. Dos jogos que vi até ao momento parece-me que os leões se apresentam algo lentos nos momentos em que perde a bola. É importante, neste capítulo, que os extremos auxiliem os laterais nos momentos de transição defensiva. Se assim deve ser em praticamente todos os sistemas táticos, num 4x3x3 essa necessidade é um imperativo ainda maior.

Do lado das águias, Rui Vitória conta com alguns reforços para a época que se avizinha: Facundo Ferreira e Nicolas Castillo. Só tive a oportunidade de ver este último jogar na equipa encarnada. Castilho, ponta-de-lança chileno, atuava no campeonato mexicano ao serviço do Pumas. Parece-me um jogador bastante lutador, que alia a força à técnica. O tento de cabeça que marcou frente ao Sevilha no jogo do último sábado mostra que tem já um bom entrosamento com a equipa, assimilando de forma bastante rápida aquilo que Rui Vitória pretende para a sua equipa. E todos sabemos a dificuldade que os jogadores centro-americanos e sul-americanos apresentam sempre que vêm para uma liga europeia. No plano tático, tudo parece indiciar que o Benfica 2018-19 atuará num sistema de 4x3x3. No jogo frente aos espanhóis do Sevilha, Ljubomir Fejsa foi o trinco do setor intermédio do terreno, permitindo as incursões ofensivas de Pizzi, a seis, e Edson, como homem mais adiantado no tridente do meio-campo. Na defesa, tudo indica que a dupla de centrais será constituída por Jardel e Ruben Dias podendo o português trocar com o recém-contratado Gérman Conti, o argentino que atuava no Colón.

E é assim que Dragões, Leões e Águias vão preparando a próxima temporada. Ainda que os resultados importem pouco nesta fase, as equipas vão testando os seus reforços, analisando o potencial dos seus atletas e verificando qual o melhor sistema e filosofia de jogo. Que seja um campeonato competitivo, com poucos casos fora das quatro-linhas, e que a Liga Portuguesa saia reforçada quer no plano desportivo quer financeiro.