3 grandes, três vitórias

3 grandes, três vitórias

14 Agosto, 2018 Não Por Simão Mata

Benfica, Porto e Sporting partem na pole position deste campeonato nacional, edição 2018-19. Os portistas são, contudo, aqueles que ocupam a posição mais cimeira da tabela classificativa até ao momento devido ao “chapa cinco” no Estádio do Dragão ante uma formação do Desportivo de Chaves que se mostrou sempre apática e sem rumo definido durante toda a partida. A formação de Sérgio Conceição foi absolutamente irrepreensível, tendo uma exibição categórica e resoluta. Atuou no seu habitual 4x4x2, com Sérgio Oliveira e Herrera no miolo do meio campo, o primeiro mais recuado, ocupando a posição 6, e o segundo mais adiantado no terreno, próximo da posição 8. Destaque para a entrada no onze inicial do jovem Diogo Leite em substituição de Mbemba no eixo defensivo (a recuperar de lesão) e de André Pereira na frente de ataque, ao lado de Aboubakar. Destaque para a exibição do camaronês do FC do Porto que selou dois dos cinco tentos da formação azul e branca.

Já o SL Benfica apresentou-se uma equipa pouco combativa e, sobretudo, deu-se conta daquilo que já destaquei em textos de opinião anteriores aqui no Da Bancada: é uma equipa que oscila muito o seu ritmo de jogo durante os 90 minutos. Como corolário disso, foi o facto de estar a ganhar por três bolas a zero até metade da segunda parte – três golos de Pizzi, de facto o melhor, jogador deste Benfica – e ter sofrido dois golos numa “rajada” de 5 minutos apenas: o primeiro dos vimaranenses ao minuto 76 por André André e o segundo ao minuto 81 por Guillermo Celis. Não se pode consentir tamanha desconcentração da equipa benfiquista nos momentos defensivos. Este aspeto deverá ser corrigido o quanto antes por Rui Vitória para que a formação lisboeta não saia da Turquia, já na terça-feira, com sabor amargo de boca. Recorde-se que o Benfica leva na bagagem uma vitória por uma bola a zero na Luz.

A atuar num sistema próximo do 4X3X3, com Ferreyra na frente de ataque benfiquista, faltou definição no último terço. De facto, só mesmo Paulo Futre parece acreditar nas potencialidades de Facundo Ferreyra. A sua crónica no Record do dia 12 de agosto intitula-se precisamente “Grande Injustiça” alegando que as críticas ao desempenho do atleta argentino têm sido injustas. Quanto a mim, até ao momento, o jogador não me disse rigorosamente nada: está demasiado preso na área, envolve-se pouco nos processos de construção ofensiva da equipa algo que Jonas e Castilho, os seus concorrentes diretos na posição de ponta-de-lança, fazem bastante melhor. Mas, vamos lá dar o benefício da dúvida ao avançado ex-Shaktar Donetsk.

Do lado do Sporting CP, a equipa verde e branca apresentou-se em Moreira de Cónegos com a mesma equipa que atuou de início frente ao Empoli para o Troféu dos Cinco Violinos à exceção do guarda-redes: entrou para o onze o guardião francês Romain Salin rendendo o italiano Emiliano Viviano que se lesionou… no aquecimento antes do jogo.

O Sporting ganhou por três bolas a uma, estando a perder por uma bola a zero. Do lado da formação leonina, a equipa organizou-se num 4x3x3 mas com um forte pendor para o 4x2x3x1, sendo Bruno Fernandes o “dez” de serviço, mobilizando-se bastante bem nas costas de Dost. Petrovic e Battaglia eram o músculo do meio-campo dos leões que libertava de responsabilidades defensivas o internacional português. De facto, Bruno Fernandes e Bas Dost estiveram uns graus bem acima dos restantes companheiros de equipa. Nem mesmo Nani esteve com a mesma desenvoltura que vimos noutros tempos. A idade já pesa um pouco.

A equipa leonina parte para este campeonato sem pressões: a crise de Alvalade, que perdura desde a época passada, tem o condão de “desculpar” os erros, é verdade, mas não se desculpa tudo. O Sporting não deixa de ser um grande do futebol Português e, num grande, o desejo do título nacional é uma decorrência desse estatuto. Viu-se nas bancadas do Moreirense: a falange de adeptos leoninos faz acreditar qualquer um que este clube é, de facto, de dimensão nacional. Se no plano das eleições parece estar tudo a correr com relativa normalidade, por outro, começa em Alvalade uma nova novela: Matheus Pereira. O jogador, que se viu afastado das opções de José Peseiro para o encontro em Moreira de Cónegos, foi “em jeito de birrinha” para as redes sociais lamentar não ter sido chamado para a partida. Peseiro esteve muito bem, colocou o jogador no seu lugar. A ver vamos se isto dará o mote para novas novelas, romances e historinhas para os lados de Alvalade. O Sporting não precisa disso.